29 de jul. de 2008
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terça-feira, julho 29, 2008
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29 de jun. de 2008
- Poema.
Encontro picos excêntricos, excentricamente
Loucos.
Nesta realidade que me prende, que me puxa,
Que me veste, que me insiste,
Revisto-me de liberdade, de abundancia
De luz.
Na amplitude da consciencia,
Na totalidade do ser que compreende,
Dobro esquinas de brilho,
Percorro estradas de extravagância,
Mergulho em mares de vento solto
Até doer.
Nesta alma matematicamente morta,
Estupidamente viva,
Até doer choro, até doer encontro o choro
Que me faz, apenas, ser.
CS, 08.06.2008
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domingo, junho 29, 2008
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29 de mai. de 2008
- Hoje...
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quinta-feira, maio 29, 2008
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24 de mai. de 2008
Uma explosão de cores
E luzes ofuscantes a cada
Instante que
Brilha que
Ilumina se
Eu assim o quisesse.
Ah, que movimento, que
frenético, tão
cililante e luminoso, que
aquece e aquece, e aquece.
E arrefeceu.
Ah, que sombra, que
Escuridão que
Brilha.
CS. 25.01.2008
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sábado, maio 24, 2008
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18 de mai. de 2008
Admito e resigno-me:
Sou só um ser humano...
(ai, razão, razão,
Ai, peso da ciência).
Nasci, irremediavelmente,
Com este desejo, tão repetidamente,
De querer encontrar a Felicidade
(como quem quer encontrar, repentinamente,
O brilho de uma estrela ofuscante).
Mas só posso ser feliz
Se única inigualável irrepetível
For
Original.
Talvez seja.
Mas e depois, no final?
Talvez seja feliz.
Porque a verdadeira ambição do Homem
Não é ser feliz.
É ser feliz sem se questionar porquê...
Assim. Porque sim.
CS, 24.01.2008
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domingo, maio 18, 2008
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8 de mai. de 2008
Não há duas flores iguais no mundo
Nem mar que não seja salgado
Ninguém sabe que a verdade do Homem
É ser tão limitado, e
Esquecem-se de perceber
Que o maior limite da razão
É entender e entender, o que deveria,
Simplesmente,
Viver. Não sei
Se a Lei tem cadastro
Não sei se hei-de duvidar, oh mar com sal,
Não sei, não sei,
Da minha sanidade mental. Não sei,
Hipocrisia limitada,
Até tu perfeita és,
Utupia tão sonhada!...
Não sei.
CS
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quinta-feira, maio 08, 2008
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29 de abr. de 2008
- Não sou poetisa.
Apenas vivo em poesia, sem a escrever.
Vivo em silêncio num mundo gritante.
E vivo num choro
Sem derramar uma só lágrima.
Respiro liberdade
Num mundo tão cheio de regras.
Vivo para as sensações,
Quando todos procuram explicações,
Análises! Entendimento nauseante...
Ah! Que lógica entediante.
Que sono de não entender,
Que fome e sede de apenas ser...
Existir e ser e nada, e nada mas
E tudo ser.
Isto sim, é poesia.
Mas finjo. Finjo
E sempre fingi.
Qual teatro, qual encenação
Absorvida por sonhos, interpretada
Sem nunca o dever ser.
Mas sou banal. Sou banal
E sempre fui...
...banalmente importante.
Então fui, e sempre fui.
E fui, e importei, e finji,
E esqueci: e nunca ninguém soube.
E se soubessem, o que saberiam?
Talvez tudo e nada,
Talvez o soubessem saber
Talvez o devessem saber?
E talvez soubessem
Perceber que o mistério
Das coisas é precisamente e tão somente:
Percebê-las, analisá-las, explicá-las.
Amar? Não, nunca.
Amar com sentido, nunca.
O único mistério é não
(apenas) amar,
É não amar com sentimento,
Amar com sentido.
Ah, sensações...
CS
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terça-feira, abril 29, 2008
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12 de abr. de 2008
- Absurdo da Existência
Sou feliz.
Sou poetisa.
Minto e finjo,
Para ser mais poetisa.
Para ser mais feliz.
Sou livre e tudo é meu.
Todas as coisas me bastam.
Tudo me ama com a mesma intensidade
Que eu amo o tudo.
Mas depois, o que resta não se vê.
O que resta não há.
O que resta não existe.
O que resta não insiste
Em existir
Nem existe
Para insistir.
E no fim de amar tudo, de querer tudo, de viver tudo,
Acabei.
Acabei no absurdo de existir, no absurdo de tudo amar,
De tudo querer, no fundo, viver.
CS
мєηιηα νσgυє @
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sábado, abril 12, 2008
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8 de abr. de 2008
- Cansada de Viver.
Esta existência
(Já) Não me sacia.
É demasiado
Simples e complexa.
Ou complexamente simples.
Estou cansada de viver,
De ser, de ir,
Apenas por não querer ficar...
Cansada deste sítio,
Deste sítio imaculadamente imperfeito,
Destas pessoas profundamente supérfluas,
Destas conversas longamente curtas,
Destas coisas.
(Já não vos posso ouvir!, Já não te posso ouvir! Sempre as mesmas conversas, sempre as mesmas coisas!)
Estou cansada de Viver !
Cliché? Sim.
Mas que é a vida, senão cliché?
Que é a felicidade, senão um desejo
Repetidamente procurado?
(Incansavelmente e estupidamente
Procurado...)
Hoje quero ficar aqui,
A ouvir a chuva lá fora,
Intercalada com o sabor do silêncio.
Quero ficar aqui, apenas
Até que toda a raiva,
Todo o ódio, todo o amor,
Todo o desdém, toda a frieza,
Toda a indiferença em ser igual
Desapareça.
Quero só ficar aqui
À espera do Sol.
(À tua espera).
À espera de nada
(À minha espera).
Quero ficar aqui só porque sim.
Quero viver, sentir, saber, esquecer, lembrar,
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terça-feira, abril 08, 2008
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4 de abr. de 2008
- Tabacaria.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
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sexta-feira, abril 04, 2008
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29 de mar. de 2008
- Beleza Vs. Mensagem II
‘o que raio fumaste antes de escrever isto?’
Depois de acharem a maior idiotice à face da terra.
Será que não conseguem ver a falsidade dos poemas bonitos?
Sim, aqueles que rimam, aqueles harmoniosos
Aqueles que falam em: flores e amores, dor e amor.
Supérfluo.
Prefiro escrever assim: uma coisa horrorosa,
Mas ao menos poder dizer que é uma coisa horrorosa
Que saiu cá de dentro
E está transposto para o papel (quase) tal e qual
Quanto a ideia nasceu na mente, na alma.
Se um dia escreverem uma biografia minha,
Apenas digam que sou uma anónima, e não sou ninguém.
Apenas digam que gosto desta vida sossegada e que a vivo o mais que posso
(e se não vivo mais e melhor é porque não quero)
Não quero que me conheçam por fazer isto ou aquilo.
Eu mudo o mundo, existindo, tal como tu, que estás aí a ler desse lado.
Que interessa quem fez? Interessa, sim, o que fez!
E por isso espero um dia poder ter o orgulho de ver as minhas ideias –
- por mais estúpidas que sejam –
Expandidas,
E poder continuar a ir tomar café onde vou todos os dias,
Poder continuar a passear e a admirar as fantásticas ruas da cidade de Lisboa ao fim de tarde,
Poder continuar a ir jogar car races no salão de jogos das Amoreiras.
Enfim, poder continuar a parecer a pessoa que transpira mais normalidade à face da Terra.
Quero poder continuar a viver neste cubículo, igual a tantos outros no Mundo:
...e que sou eu, senão mais uma cidadã do Mundo?...
C.S.,23-11-2007
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sábado, março 29, 2008
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24 de mar. de 2008
- Beleza vs. Mensagem I
Não há bom nem mau: há o Homem.
Todos os poemas, ou são lindos,
ou têm uma mensagem.
E a maior fraqueza da razão é entender tudo
excepto que não pode entender nada:
a mensagem de um poema feio,
nem as palavras em mim,
nem eu nas palavras.
E este, que tal? Está simples, directo?
Está lindo, ou antes tem mensagem?
мєηιηα νσgυє @
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' Claudjinha
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segunda-feira, março 24, 2008
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20 de mar. de 2008
- Vida efémera, pensamento eterno.
Mas tão pouco – tudo o que pensamos
É nada. É a vida. É tudo.
A vida passa numa rajada de vento.
Numa gota de chuva. Num raio de sol.
No fim, nada resta senão a sensação
De que foi tão rápido, de que foi tão efémero.
Mas no pensamento fomos tudo – e nada.
Porque sendo nada nem nada vivendo,
Fizemos tudo, vivemos tudo, tivemos tudo,
Amámos tudo porque tudo nos bastava
Assim só, só porque sim, sem porquês.
Porque sentimos tudo,
Respirámos as sensações
E apenas porque o sonho existiu. Apenas
Porque eu e o sonho coexistimos.
E tudo bastou, tudo bastou.
Ali, assim, como era,
Disperso, compacto, unicamente único.
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' Claudjinha
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quinta-feira, março 20, 2008
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12 de mar. de 2008
- Não sou poetisa.
Apenas vivo em poesia, sem a escrever.
Vivo em silêncio num mundo gritante.
E vivo num choro
Sem derramar uma só lágrima.
Respiro liberdade
Num mundo tão cheio de regras.
Vivo para as sensações,
Quando todos procuram explicações,
Análises! Entendimento nauseante...
Ah! Que lógica entediante.
Que sono de não entender,
Que fome e sede de apenas ser...
Existir e ser e nada, e nada mas
E tudo ser.
Isto sim, é poesia.
Mas finjo. Finjo
E sempre fingi.
Qual teatro, qual encenação
Absorvida por sonhos, interpretada
Sem nunca o dever ser.
Mas sou banal. Sou banal
E sempre fui...
...banalmente importante.
Então fui, e sempre fui.
E fui, e importei, e finji,
E esqueci: e nunca ninguém soube.
E se soubessem, o que saberiam?
Talvez tudo e nada,
Talvez o soubessem saber
Talvez o devessem saber?
E talvez soubessem
Perceber que o mistério
Das coisas é precisamente e tão somente:
Percebê-las, analisá-las, explicá-las.
Amar? Não, nunca.
Amar com sentido, nunca.
O único mistério é não
(apenas) amar,
É não amar com sentimento,
Amar com sentido.
Ah, sensações...
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quarta-feira, março 12, 2008
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2 de mar. de 2008
- Hoje nada importa.
Eu.
E vou para o deserto, deserta de ser
Ainda mais eu.
Quando consigo, desprendo-me
E vou.
Longe do que fingo ser,
Longe do que sou,
Ainda mais longe do que penso ser –
- e, afinal, quem sou?
Hoje nada importa.
Alguma vez importou?
Fechei a porta
Devagarinho, ninguém reparou.
Se alguém alguma vez reparar, então
Fecho as janelas do sonho para sempre, então
Vou para o deserto para sempre, e então?
Hoje nada importa.
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domingo, março 02, 2008
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28 de fev. de 2008
- Utopia do Tempo.
O tempo é (perfeita)
Utopia.
O tempo são as horas
(perfeitamente) cornometradas
Do dia.
E quando chega a noite
A sombra é (perfeita)
Escuridão.
É quando o gato preto sai
Quando o gato preto brinca
É quando o perfeito cai
Para que eu o sinta.
É quando acaba tudo em silêncio
quando acaba tudo em poesia:
é quando o tempo volta,
quando volta a utopia.
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quinta-feira, fevereiro 28, 2008
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24 de fev. de 2008
- inconsciencia desejada
Escutei e o som calou-se.
Falei e mais não se ouviu,
Neste silêncio, que assim fosse.
Senti deslizar meu pensamento
Pela vontade de sentir apenas
E a vontade se rebelou contra a minha
Inconsciência (desejada).
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' Claudjinha
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domingo, fevereiro 24, 2008
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18 de fev. de 2008
- Vazio.
O silêncio, a lágrima egofónica,
E aquela luz fria da madrugada.
Um grito tão gritantemente silencioso,
Desesperadamente sufocante.
A alma que mente – a alma que sente
Porém, o instinto crescente. Abundante.
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' Claudjinha
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008
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14 de fev. de 2008
- <3
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quinta-feira, fevereiro 14, 2008
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12 de fev. de 2008
- Dor de pensar...
Apenas mais um dia.
Renascer,
Num início original reincidir.
Ter orgulho na loucura,
No desespero,
Na solidão,
No fingimento,
A lua e o sol darão a mão.
Ah, renascer. E talvez
Começar tudo de novo...
...como nada sei; e como
Sei-o bem.
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' Claudjinha
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terça-feira, fevereiro 12, 2008
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8 de fev. de 2008
- Oh Mundo
Como te chamas.
De onde vieste
E o que vieste fazer,
E o que fazem estes Homens
Contigo.
Eu sou apenas mais uma
Visitante
Juntamente com aqueles
Homens
Que um dia vieram
Tentar explicar-te
Mas que por tanto tentarem entender
Esqueceram-se de entender
Que apenas deviam contemplar-te
Amar-te e viver-te.
Como se fosse o último momento de sempre
Em que pudessem espreitar pela janela.
Então diz-me, Oh Mundo
Onde deverei eu
Colocar a Perfeição?
C.S., 15-11-2007
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' Claudjinha
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008
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2 de fev. de 2008
- Sou aquela
É fielmente fiel.
Aquela que pinta
Com um doce pincel
Este tão frenético processo
De multiplicação.
Sou aquela cuja alma
Se espraia no mar.
Aquela cuja alma
Implora por brilhar,
Mas sem fulgor nem paixão.
Ah, sou aquela e aquela e
Aquela ali,
Aquele abrir de rosa à espera
De um contemplar
E mais
Aquela, aquela,
Aquele anseio de alma
Cheio de mudos ais...
Esta. Cuja imagem se esqueceu
De retratar.
CS 24.01.2008
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' Claudjinha
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sábado, fevereiro 02, 2008
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28 de jan. de 2008
- Emprestar-te-ia a alma
E as ondas do mar do meu cabelo
Esse cheiro a rosas de que tanto gostas
E a alma, se precisasses dela.
Mas sou quem grita fundo para te ter
E as palavras saem mudas,
E ali
Dispersas
No tempo
Nos encontramos. Eu e tu,
E o céu e o mar,
E dá-se o beijo entre o horizonte e o luar,
Porque no fundo?
Vim a este mundo, para te amar.
CS
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' Claudjinha
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segunda-feira, janeiro 28, 2008
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24 de jan. de 2008
-Não quebres o meu Silêncio...
Sinto. Neste ir e vir de dúvidas.
Perguntas-me.
Ouves as palavras que queres ouvir,
Ou não.
Mas que a muito custo conseguiram ser encontradas.
Só que o sentido que lhes dei perde-se.
Antes de poderem juntar o teu coração ao meu.
E no espaço forma-se o desejo patente de nos amarmos.
E de não deixarmos que esta prisão psicológica
Desmorone juntamente com... o tudo que julgamos existir.
De olhos embargados te peço:
Entra, invade, controla, comanda.
Mas, por favor...
Não quebres o meu silêncio.
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' Claudjinha
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quinta-feira, janeiro 24, 2008
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16 de jan. de 2008
- o mar que me rebatava o ser
Escrevo aquilo em que acredito,
aquilo que desejo, aquilo sem sentido -
parto sem dor,
o teu simples beijo,
a utopia do perfeito,
do amor,
do homem que fez sem ter feito.
e não passo de uma alma com saudade,
uma alma ansiosa por sanidade, mas chamo
áquilo que acontece
quando o tempo se encontra no tempo,
quando o espaço se perde no espaço
de verdadeira liberdade que amo.
e apenas restam vestígios da impureza,
apenas vestígios de Saudade
de quando eras tu apenas mar, mar, apenas mar,
apenas uma onda que me rebatava o ser,
apenas uma onda que me vestia e me envolvia,
que tinha nascido para me amar.
ah! esta percepção imediata que nasci pra te pertencer...
C.S.
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' Claudjinha
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quarta-feira, janeiro 16, 2008
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10 de jan. de 2008
- Mentir
É minha toda essa angústia
Não levada pelo vento
Num tempo
Que existe mas não o quer.
A vida é esse tormento é
Essa angústia é
O que não está aqui ao pé.
É ser o que não é, sendo.
É só isso:
Mentir mais para ser mais.
C.S.
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quinta-feira, janeiro 10, 2008
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8 de jan. de 2008
- Liberdade
Esse é o problema, subjugados nesta sociedade que reprime qualquer acto menos normal ou mais ousado que nos julga sem saber quem somos, nós fechamo-nos e temos medo de ser um EU livre. '
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terça-feira, janeiro 08, 2008
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4 de jan. de 2008
- Amar as coisas apenas porque elas existem.
faz bem olhar para ti e achar que até me amas
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sexta-feira, janeiro 04, 2008
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Marcadores: Janelas Eternamente Abertas
2 de jan. de 2008
- Finge.
Finge que nasces, para fingires que existes.
Finge que cresces e aprendes.
Finge que estudas para um dia puderes dizer a fingir que estudaste.
Finge saberes para te deixarem fingir ser alguém.
Finge parecer, finge até ser. Mas não te esqueças de fingir,
Nem finjas que te esqueces que estás a fingir.
Finge sentir e escrever palavras que um dia vão ser lidas por pessoas que fingirão entendê-las.
Finge a vida, finge o próprio fingimento.
Finge que as palavras fecundam as ideias
Tal como a água do mar fecunda a areia da praia.
Finge seres poeta – finge quereres ser.
Mas, por favor: finge.
Porque eu continuarei a fingir
Que escrevo muitos poemas.
Que os escrevo antes das teses.
Continuarei a fingir
Que escrevo muitas teses,
E que as escrevo antes dos poemas.
Finjo que não falo à toa e finjo tanto
Que chego a ouvir uma voz que constantemente me pergunta:
‘porque fizeste este poema?’
E eu respondo:
Porque posso andar pelas ruas, anónima,
Sem ninguém saber.
Mas finjo acreditar que eles conhecem esta lenda, e
Que tudo não passa de um lindo Poema.
C.S., 15-11-2007
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quarta-feira, janeiro 02, 2008
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28 de dez. de 2007
- Anónimos
Não passamos de massas de se deres humanos
que na sua complexidade
e por sermos governados por tão iguais seres humanos
na mesma complexidade do ser e do sistema
não somos ninguém.
E por sermos tao conhecidamente desconhecidos,
acabamos por ser anonimamente alguem,
nesses 3minutos de antena que é a vida.
É por isso que não sabemos nada: ou tão pouco.
Levamos esta vida como quem leva uma criança à escola:
porque temos, porque devemos.
Ou porque queremos e gostamos.
E o que é a vida, se não gostar e querer.
E pensar no que se pode ter?
Nada.
Talvez nem exista nada.
E é sobre isso que se debruçam os poetas inibidos.
Sobre uma ideia que constantemente se esquece de permanecer,
ou que não se lembra de ser tão genial que agradasse ao mundo cheio de regras estéticas [bonitas?].
Mas continuarei a escrever linhas sem sentido
pois há em mim uma vontade granítica e magistralmente perfeita
de ser alguém numa massa cheia de ninguéns.
Tanto quanto o mar tem de gotas, o céu de estrelas e o mundo de mentira.
Apenas uma mentira.
Mais uma.
C.S.
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sexta-feira, dezembro 28, 2007
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21 de dez. de 2007
- Rosas do teu pensamento
Fechei a porta, devagarinho
Para ninguém perceber
Que a unica verdade do mundo está
Em dizer que o nosso saber
É uma mera cópia
E tentativa de entender
Que as rosas do teu pensamento
Ilícito e pecatório
São as mais puras do jardim do Mundo.
Será este pedacinho de palavras
O pedacinho que escreverei hoje?
Serei eu Aquela
A continuar essa linda história?
Mas que vida seria a minha se assim não fosse?
E o que seria a vida senão mero resultado da morte
Tentando decifrar o mistério por detrás das coisas
E não percebendo que esse mistério
É o que lhes confere beleza?
Que sentido terá isto, senão ter sentido nenhum?
E que verdade será essa,
Se não for mero da mentira desmentimento?
Por detrás deste som anónimo
Quem será ele?
Aquele que apenas terá que ser
Aquilo que quer que sejam para ele...
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18 de dez. de 2007
- E, no fim...
A minha mente escreve
Mas não se lembra do que escreveu
Por entre palavras dissipadas
Ela pensa
Mas não se lembra do que pensou
Por entre pensamentos
Ilícitos
E sentimentos insípidos
Que a minha mente sentiu
Mas sem se lembrar do que a feriu.
Mas e então? Há as pessoas que pensam muito
Mesmo
Muito nas coisas
Há as pessoas que se sentem sós
No meio de tanta gente igual a elas
Apenas por pensarem diferente
Por quererem descrever a diferença.
Mas, depois, no fim...
Basta apenas o silêncio acompanhado
Do som da chuva e dos ponteiros do relógio
E Aquele Alguém do nosso lado a acariciar-nos
Enquanto, de olhos fechados, nos perdemos
Na única liberdade que nos é concedida:
A nossa mente.
Que escreve, que pensa, que sente, sem se lembrar.
C.S.
01-11-2007
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terça-feira, dezembro 18, 2007
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8 de dez. de 2007
- Tudo o resto
Na cama, mas não
Resisto à tentação
Nem renuncio à sensação
De estar apaixonada (por mim?),
Como quem ama
Esta redoma
Que encerra, de resto,
A mente humana.
Tudo o resto é observação
Paixão, opinião
E uma vida levada
(do nada?)
De quem mente
Constantemente.
Tudo o resto é uma cidade
São as luzes dessa
Saudade
E da sensação da vontade
De sentir tão somente.
( C.S., 6-11-2007 )
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sábado, dezembro 08, 2007
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1 de dez. de 2007
- Não me fales sobre a vida
Não fales comigo sobre a vida.
Não me digas o que pensas saber
O que todos pensam saber
E o que todos querem saber.
(saber, o q é saber?)
Não fales comigo sobre o que está
Certo e errado
O que é correcto e reprovável
O deus que existe e nos vê
Que tudo pode e todos castiga.
Não fales comigo sobre sentimentos.
Não me digas que
tenho de me resignar à realidade
De que estes são meras reacções químicas
Do nosso cérebro,
Se é que este existe,
E se realidade existe de facto.
Não, não fales comigo
Sobre a razão de ser dos seres, e do ser
E do nada
E do tudo
E do que se pensa saber
E daqueles que pensam saber
O que apenas querem entender.
Não me fales em filosofia
Nem em matemática
Nem em todos os saberes construídos pela humanidade
Não me digas, por favor, que tenho de me cingir
A esta pobreza de espírito dos homens
Que é quererem saber tudo
Até aquilo que não se pode saber.
Não me digas que tenho que me cingir
E tenho que falar contigo
Sobre algo que acontece, ou que pensamos que acontece
Porque o vemos. Porque pensamos que o vivemos.
Não, por favor, não me lembres
Que vivemos n’algo que se chama realidade
Que temos regras e normas orientadoras
Em que tudo tenta e pode ser explicado
Em que até os sentimentos podem ser cientificamente provados.
Não me lembres, por favor, que até se eu tentar escrever algo
que tenta explicar o porquê de me sentir tão só no meio de tanta gente
igual a mim
seja apenas pelo motivo de mais tarde vir a ser analisado
um texto, um poema
palavras que deviam ser lidas e guardadas
e nunca entendidas.
Nunca.
Por isso não fales comigo sobre a vida.
Amanhã acordarei de novo e me rendirei de novo
À pobreza de espírito que criou aparências e corrompeu mentes
Como a minha, a tua, a deles.
Amanhã acordarei de novo e te direi:
Não fales comigo sobre a Vida, porque eu tenho de me cingir a ela.
C.S.
(30-10-2007)
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sábado, dezembro 01, 2007
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28 de nov. de 2007
- Inteligível (o que parece ser. o que não é)
A vida que tentamos sempre entender, aquela que devíamos, simplesmente, viver.
(C.S., 26-10-2007)
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quarta-feira, novembro 28, 2007
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20 de nov. de 2007
-O paraíso já lá foi
Incansavelmente procuras
Aquela coisa
Palavra que não existe e que
Tão pouco existirá
Em tempo algum
Em algum local
Aí bem dentro
Mais dentro.
Jamais tu próprio conseguirás
Chegar.
Onde jamais chegarás.
Eu diria até que
Se deus acreditasse em mim
Ele viria falar comigo
Como alguém que espera
Qualquer coisa
Porque sente que lhe falta tudo
Ele levava-me pela mão
Pelas douradas pradarias
Do nascer ao pôr do sol.
Em direcção ao caminho
Do nada. Do vazio.
Do silêncio.
Porque o Paraíso já lá foi.
‘Heaven has been away too long’
(C.S.)
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terça-feira, novembro 20, 2007
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16 de nov. de 2007
- Cá de cima.
É tudo tão pequenino aqui de cima
As pessoas a passearem na cidade
E o sol a bater nas águas do rio.
A distância do sol aqui
É tão pequena quanto
A distância
E Lisboa ao Tejo.
Tão perto.
Sim. É tudo tão pequenino cá de cima.
(C.S., 12-11-2007 )
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12 de nov. de 2007
-Parabéns...

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segunda-feira, novembro 12, 2007
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