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26 de abr. de 2011

o que foi, o que é
o que podia ter sido,
é a minha realidade.

estou (completamente)
perdida
num mar de incertezas,
das minhas incertezas.

insignificantes,
esmagam-me,
todos os dias, a todas as horas,
vagas,
porque não quero preenchê-las.

não fico, não vou,
não sei, não vivo.

tudo vai dar ao mesmo,
no final das coisas.

16 de abr. de 2011

Fui
Longe correr e morrer
ideias livres tão soltas em fusão
num embrulho envolvente
tão puro, tão intenso...
foi quase como uma coisa que
dói, mói, mas no fim sabe bem.

extensidade doida
vastidão esmagadora
peso parvo, não obstante, leve
na incerteza de ser tão certo.
escrevo agora, porque sim
porque posso, porque quero,
e porque não...

vou, porque morrer é nascer
numa outra realidade paralela
dimensão rica em presentes, futuros
e passados alternativos
como se tivesse significados igualmente
diferentes entre si.

o que foi, o que é,
o que podia ter sido,
nunca o foi porque não é.

Cláudia & Daniel

20 de fev. de 2011

Random.

Esmagador
Ensurdecedor
Este silêncio absoluto
E o absurdo
Desta banal e repetida
Existência
Corrói, como ácido,
Todo e qualquer equilíbro.
Caminho em direcção ao
Caos.
E a desordem total
Apodera-se de mim.
Gosto de sentir a liberdade
Em estado puro. Mas
É demasiada e dói. Queima.
Quero um pouco menos.
Um pouco menos de tudo.
Um pouco menos de nada.
Um pouco menos disto.

Estou condenada à trivialidade
Da minha própria mente
Como um corredor da morte
Que acaba num completo acaso
Na completa falta de sentido.


Neste quarto existem
Buracos negros
Vazios que doem.
Silêncios que gritam.
Lacunas por preencher.

6 de jan. de 2011

' "Filosofar é aprender a morrer."

Nestes últimos tempos tenho andado numa crise existencial... constantemente a colocar-me questões a mim própria às quais sei que nunca vou conseguir responder... deixei que a minha mente fosse por caminhos perigosos, daqueles que, uma vez que se entra, já não se consegue sair... (o mais irónico é que entrei por estes "caminhos" aos 15 anos, quando comecei a escrever aqueles poemas que nem todo o mundo entende na sua essência, mas enfim, eu sei que entendo, e depois dessa fase fartei-me de me questionar a mim mesma e entreguei-me completamente à trivialidade da vida e às coisas mais superficiais... agora deu-me para voltar)... não estou deprimida e já pensei em suicidio mas nunca em cometê-lo na realidade... porque amo demasiado a vida. o que é contraditório... desde os 15 anos que penso nestas coisas. fecho-me em copas, e simplesmente penso. muitas das vezes quero exprimir-me por palavras e não consigo. consegui expressar-me em alguns dos meus poemas, a partir daí parece que perdi "a coisa"... sei que só ando a pensar, e a pensar, e a pensar... no absurdo da vida. no absurdo completo que é a vida. de como tudo é completamente repetitivo, até a própria existência... ninguém é ninguém, todo o mundo é simplesmente cópia... eu não sou eu, eu sou uma cópia de alguém... provavelmente nunca serei ninguém... (e esta questão mais "filosófica" leva-me sempre sempre sempre a uma questão de índole mais prática, que é "eu não sei o que quero da vida")... de como tudo é completamente absurdo... parar para pensar de onde tudo veio e para onde tudo vai e, afinal, o que raio estamos aqui a fazer... dêem os argumentos que derem "estamos aqui para procriar", "estamos aqui porque deus nos criou" (e a questão da religião é outra que dá pano para mangas, mas para resumir a coisa, para mim é simplesmente uma forma que as pessoas encontraram para depositarem tudo o que de bom e mau acontece e até mesmo todas estas perguntas, num ser divino e superior, que "dita" o que está certo ao errado, no qual depositamos fé e esperança numa vida após a morte, enfim... uma fachada total), vai tudo dar ao mesmo... a um gigante e redondo PORQUÊ. o porquê de tudo existir, o porquê de tudo ter começado, se alguma vez começou (ninguém sabe, quando chegámos cá já tudo existia simplesmente), o porquê de tudo simplesmente ser, se tudo um dia vai simplesmente acabar... o tempo, atrofia-me... o tempo é uma questão que me confunde... a questão do ser humano ter sentido a necessidade de ter criado algo que cronometrasse o tempo, aliás, por ter criado a própria noção de tempo, por sentir necessidade de se orientar... orientar... regras, normas sociais, leis... sem elas, o que seríamos? verdadeiramente livres... verdadeiramente livres? nunca seríamos felizes assim... na verdade, a liberdade é uma completa falácia... viveríamos no completo caos e desordem... no fundo, temos tanta necessidade (pelo menos eu) de quebrar regras e de revoltar-se contra padrões e critérios universais do que é aceite ou reprovável, contra juízos de valor nos quais acabamos por cair nós mesmos inevitavelmente... mas a verdade é que sem tudo isso viveríamos num completo abismo, um buraco negro para o qual seríamos sugados, um caminho sem fim e sem retorno, o ciclo vicioso do sem-sentido... depois de pensar nisto, chego à conclusão de que não vale a pena... que pensar nestas coisas só por um dia me cansa tanto psicologicamente, ao ponto de me deixar exausta, quanto mais pensar uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira!... e nunca chegar a uma solução... diz-se que o ser humano é racional e por isso terá mais vantagem sobre os outros animais, no entanto, não vejo a coisa dessa forma... quanto mais consciência e racionalidade temos, mais dúvidas colocamos, menos respostas obtemos, mais infelizes nos sentimos... há alturas em que penso mesmo, mais valia viver na ignorância e ser feliz... não aguentamos de tanto conhecimento, de querermos sempre conhecer mais porque achamos que nunca conhecemos o suficiente... e procuramos, mais e mais, mais e mais, e quanto mais procuramos, menos encontramos, a menos conclusões chegamos e mais dúvidas surgem... então chegamos à conclusão de que o melhor será mesmo aceitar o absurdo completo da simples existência e viver com isso... entregarmo-nos às trivialidades do dia-a-dia, ao trabalho, à faculdade, aos amigos, ao namorado/a, à série de televisão, ao facebook, aos blogs, à satisfação das nossas necessidades mais básicas, ao sexo e aos prazeres carnais e efémeros, ou às coisas que achamos belas e geniais na vida, como aquela música que nos toca em todos os aspectos e que somos capazes de ficar um fim-de-semana inteiro a ouvir, ou ir a um museu contemplar as mais belas obras de arte alguma vez feitas, ou viajar pelo menos uma vez por mês e conhecer pessoas e culturas diferentes da nossa... fazendo um esforço para nos esquecermos de que há e sempre vai haver aquela dúvida existencial, a maior dúvida de sempre, mas que, como nunca lhe vamos conseguir dar uma resposta, mais vale então habituarmo-nos... como quem diz deal with it, chegaste aqui, nasceste, vives, não te mates porque concerteza tens alguém que te ama no mundo e como ser altruísta que deves ser não deves ser egoísta ao ponto de tirares a tua própria vida e deixares alguém a sofrer por cá...  mas que tudo isso que vives não tem importância absolutamente nenhuma... sejas tu, anónimo, ou o Barak Obama, vai tudo dar ao mesmo... somos iguais por dentro, temos o sangue da mesma cor e, como seres humanos irremediavelmente condenados à trivialidade e efemeridade, não somos absolutamente nada senão a repetição de alguém... por isso, das duas uma, mata-te ou conforma-te, simplesmente, não há nenhuma outra saída...

não sei que se passa comigo... ando a ler Nietzche, ando extremamente existencialista e niilista... neste momento vivo no absoluto caos que é a minha mente.

e tudo isto começou pela coisa mais absurda de sempre... uma cadeira, na faculdade, que odeio, e que quando me sentei para estudar e quis bater com a cabeça nas paredes... quando recebi as notas e vi que tinha tido dois míseros 14's (eu sou exigente comigo própria e 14 é médio a mandar para o mau) depois de me ter esfalfado em 2 trabalhos... dei por mim a pensar... PORRA, esta merda não me faz feliz, provavelmente só me faz ganhar rugas e eu devo morrer jovem, porque é que eu estou a perder tempo com isto... isto não interessa para nada, no fundo, no background do que é a minha vida inteira, isto não interessa absolutamente nada... but then again, que remédio tenho eu senão fazer algo da vida nem que seja com o último propósito de sobreviver e ir sobrevivendo para acabar por morrer... que remédio tenho eu, com a crise que está e com toda a gente (sobretudo os meus pais) a mandarem-me esse facto à cara, senão trabalhar para um pequeno vislumbre de um futuro que se diz ser melhor... mas que na verdade vai ser uma merda, porque nunca tive um time off para pensar o que realmente queria da vida, e nem me podia dar a esse luxo... por vezes sinto que fui forçada a crescer demasiado rápido, ainda que tivesse sempre mantido o meu mundinho cor-de-rosa para salvaguardar a minha sanidade mental.

toda e qualquer motivação foi-se, vai-se, um pouco mais todos os dias, faço as coisas por obrigação, a pensar que sim senhora, adoro psicologia, mas que provavelmente não me vai levar a lado nenhum... vai levar-me onde? a tirar um curso, arranjar um emprego, dentro de um consultório ou de um escritório, onde vou estar todos os dias das 9h às 17h, para conseguir pagar as contas ao fim do mês, escrever uns quantos livros se tiver sorte e inspiração, constituir família, cuidar dos filhos, envelhecer, reformar-me, cuidar dos netos, e eventualmente (aliás, de certeza), morrer... é isso mesmo... "Há quem diga que a vida é como uma longa caminhada. Que grandes caminhos se percorrem começando por dar um pequeno passo. Que partimos de um princípio, e chegamos à felicidade, simbolizada pelo fim desse grande caminho. Eu acho que a vida é uma caminhada que vai sempre dar ao mesmo. Não é em frente, como na proposta que referi acima, mas sim para os lados. Podemos dar um, dois, três passos, ou os que forem, para a esquerda ou para a direita. Mas voltamos sempre ao mesmo. Voltamos sempre àquele ponto inicial, que coincide com o final. Onde o nascimento se cruza com a morte... no fundo, acabamos sempre onde começámos. Dermos os passos nas direcções que dermos. Acabamos sempre onde começámos e tudo o que fica pelo meio, é só isso... tudo o que fica pelo meio. Nada mais, nada menos." (daqui, por mim).

Sempre filosofei muito. Demais até. Até doer. Doer mesmo, doer na alma. Não sei se tive algum trauma de infância em relação à morte, se tive não me lembro, mas nunca consegui lidar bem com a mortalidade das pessoas e a finalidade das coisas em geral. Há momentos em que me sinto como uma criança que se confronta com a morte pela primeira vez. Ainda não tendo aceitado bem a questão da mortalidade, chegar à conclusão de que a morte/o fim é absolutamente inevitável a tudo o que vive, é dose demais para mim. "Filosofar é aprender a morrer". José Saramago.

4 de Janeiro de 2011 à noite... o meu avô paterno morreu. só soube agora. não o conhecia, still meu mundo inteiro ruiu. ainda mais. se estive quase o dia inteiro de hoje a chorar, foi por pressentimento, por presságio, de certeza, uma espécie de sexto sentido, e eu nem sou de acreditar nessas coisas, mas raras são as vezes em que acordo e me apetece simplesmente chorar, compulsivamente, chorar e chorar apenas. estou mais triste pelo meu pai. as forças esgotaram-se. estou tão angustiada que nem consigo chorar. não tenho mais lágrimas. Descansa em paz, Avô.

' One step at a time...

Há quem diga que a vida é como uma longa caminhada. Que grandes caminhos se percorrem começando por dar um pequeno passo. Que partimos de um princípio, e chegamos à felicidade, simbolizada pelo fim desse grande caminho.

Eu acho que a vida é uma caminhada que vai sempre dar ao mesmo. Não é em frente, como na proposta que referi acima, mas sim para os lados. Podemos dar um, dois, três passos, ou os que forem, para a esquerda ou para a direita. Mas voltamos sempre ao mesmo. Voltamos sempre àquele ponto inicial, que coincide com o final. Onde o nascimento se cruza com a morte... no fundo, acabamos sempre onde começámos. Dermos os passos nas direcções que dermos. Acabamos sempre onde começámos e tudo o que fica pelo meio, é só isso... tudo o que fica pelo meio. Nada mais, nada menos.

31 de dez. de 2010

A minha mente tem andado por caminhos perigosos... Como se fossem águas fundas e geladas. É preciso ter algum equilíbrio mental para não deixar que as questões essenciais da própria existência nos façam cair numa depressão. Uma vez que se entra, já não se pode, já não se consegue, sair. E eu já entrei. Entrei pela primeira vez aos 15 anos. E há (quase) 6 anos que continuo (insistente e estupidamente) a colocar questões a mim própria às quais sei que nunca vou conseguir responder.

14 de dez. de 2010

[Untitled]


Caio, mas o céu fica cada vez mais perto.
Sinto-me esperto, mas a minha mente me consome
Já não sinto o corpo
É tortura ser torturado pela tortuosa tortura da mente
É redundante…
Não obstante,
Nenhuma tortura sinto
Mas ela existe, como finjo que ela existe!
Virtuosa realidade que persiste
Dolorosa verdade constante,
Ou a mentira deliciosamente
Absurda
Em que vivo e sobrevivo
Tropeço nela quando acordo, convivo com ela quando sonho
Sempre algo produto de representações,
Decisões e emoções
Num ambiente ilusório, risonho,
Medonho, assustador,
Entro em pânico,
Caio em mim, caio na realidade,
A ilusão desvanece-se.
No entanto, apercebo-me do quão dubitável,
Do quão incómodo é, a existência da própria realidade
Que me assusta, talvez… mas a consciência mata-me de novo
Outra vez…
Assim, caio, final e fatalmente
Caio na inevitabilidade que sempre evitei.
Caio, mas o céu fica cada vez mais perto.

Cláudia Silva & Daniel Freire

26 de out. de 2010


A maioria das pessoas diz-nos o que fazer com a nossa vida, sem pensarem em mais nada, a não ser o que elas acham. Mas às vezes podemos sentir-nos desprotegidos e não conseguimos deixar de absorver o que têm a dizer, e depois pensamos... "porquê basear a minha vida na opinião desta pessoa?", e nessa altura se calhar já é tarde demais...

7 de jul. de 2010

Sempre fui pouco confrontadora. Achava que era um defeito, que me deixava pisar, rebaixar, deixar os outros levar a melhor. Com o tempo, aprendi que ser pouco confrontadora permitia-me uma maior paz interior. Ao que não dou importância, não confronto, ao que me é indiferente, não confronto. As atitudes alheias que nunca confrontei, deixaram de me incomodar. Deixei de ter a necessidade de confrontar os outros por achar que era o que devia fazer, mas não conseguir e viver  numa insatisfação interior permanente. Deixei de ter necessidade de me confrontar comigo mesma por não conseguir confrontar os outros. O que me incomodava, deixou de incomodar, e encontrei uma paz maior. Afinal, as más atitudes ficam em quem as tem, não em quem as recebe ou para quem elas são dirigidas.

5 de jul. de 2010

Com o tempo, aprendi a saber estar sozinha. Na cama, a olhar para o tecto, a ouvir os meus pensamentos. Numa rua, na penumbra, só, a ouvir os meus passos, a ver a minha sombra. Sem qualquer medo. Se dantes tinha medo de parar, e ficar sentada numa cadeira entre 4 paredes caladas, se dantes tinha medo de me ouvir, porque o que dizia a mim mesma era tanto que não conseguia assimilar tudo, hoje, isso mudou. Consigo ouvir-me sem ter medo de me perder. Deixei de ter medo do silêncio e aprendi que o silêncio interior é a maior fonte de sabedoria a que temos acesso. Aprendi a ouvir-me quer esteja sozinha no silêncio, a ler um livro, a ouvir música, a ver televisão, a falar com uma pessoa, com duas pessoas, com três pessoas ou no meio de uma multidão. Já não preciso de ninguém para me sentir suficientemente segura ou para não me sentir sozinha. Porque, agora, estou em contacto. Comigo mesma.

30 de abr. de 2010

Fosse eu noite, fosse eu dia
Fosse eu morte, fosse eu vida.
Fosse eu fogo, fosse eu vento.
Fosse eu tudo, fosse eu nada.
Atravessa minha ânsia,
Paisagem, retrato dos traços do teu rosto.
Morre em mim e amanhã
Amanhece-me de novo.
Porque o teu sorriso é como aquele antigo
Sol de inverno.
E o cheiro dos teus pulsos lembra-me
O romper de uma primavera
Jovem e promissora.
Sim, afoga-te em mim, esta noite,
Renasce no meu oceano, longe mas perto,
Desembarca na ilha do sempre e do para sempre, despe-me
Ensina-me e dá-me vontade de beber da vida.
Porque nua estou aqui, nesta praia, sem nada mais em que
Querer crer
Sem ser no ruído ensurdecedor do mar
E no silêncio do céu,
E na paz da brisa fresca.
Estou aqui, paixão,
Espero por ti todos os dias olhando sempre o mesmo azul
Espero que me venhas dar a beber da vida
Espero que venhas, me olhes e habites a solidão da minha alma
Sim, todos os dias te aguardo.
A tua vinda,
A paz que me tiras,
O fogo que me trazes.
Vem e toma-me como tua,
Como tua sempre fui,
E morre em mim.
Por fim, ensina-me a dizer-te adeus,
Ensina-me a deixar-te partir.
Ensina-me a morrer, meu amor,
Ensina-me a saber morrer, meu amor,
Ensina-me a saber morrer em ti.

CS
30-04-2010

ao som de:


24 de fev. de 2010

sinto-me cruelmente bom em não ser mau
amo onde a estrada começa
paupérrimo, percorro a vida à espera de esmola.
os transeuntes passam como se de um simples obstáculo me tratasse.
sou ninguém, desespero por não o fazer, morro por viver: o que estupidamente tem lógica, mas nem sempre começo por perceber...
a ausência de ter vontade para ir, avançar, apenas por não querer ficar.
preguiço, o sangue evapora-se sozinho apenas porque quer fugir. desaparecer.
assim se cria uma neblina bem encarnada, de forma crua, ao som silencioso do crepúsculo.
os cães ladram e a caravana passa, como uma corrupção mental e metafórica como se não houvesse instinto banal
só porque sim.
é então que fria e seca a brisa da ausência de instinto torna o ar mais rarefeito e duro de respirar.
como um cavalo de tróia por executar a função suja e porca de uma rasteira cruel,
porque pode fazê-lo.
e morre, assim, na praia, traiçoeiro e solitário, o cavalo de tróia que habitava minh'alma vazia e impassível de vir vez alguma a ser preenchida.

Cláudia Silva
Daniel Freire
22-02-2010
Aula de Percepção, Atenção e Memória.

18 de fev. de 2010

' Poema X

Há sempre qualquer coisa neste ar que respiras,
Um sabor envolvente de uma textura suave,
A seda, talvez.
Um som delicioso, um odor carinhoso,
Uma luz ensurdecedora.
Há sempre um desejo e uma vontade desenfreada
De te dizer, de te contar
As flores que vi pelo caminho.
A forma como o sol me iluminou,
A forma como o vento me fez esvoaçar os cabelos...
Ontem. Hoje. Amanhã.
Há sempre esta vontade imensa de te abraçar,
Este desejo imenso que me beijes, meu amor,
Esta vontade infinita.
Quero-te agora, hoje e para sempre,
Como te quis ontem e nem o sabia.
Quero-te mais que a vida,
E quero que a vida tenha o teu sabor a sal,
A liberdade dos teus braços,
A doçura dos teus olhos.
Quero que a vida saiba pela vida...
Como tu, meu amor, como tu.

CS

11 de nov. de 2009

' 3 Anos


e esta janela continuará sempre aberta.

*3 ANOS BLOG JANELA ABERTA*

8 de nov. de 2009

' Alienação.

O silêncio é demasiado ruidoso
Demasiado insuportável.
Recorda-me que minha alma
Só é presente.
E que passado e futuro
São paisagens ngeras
Delírios inconscientes,
Fingimentos latentes.
Este fogo que arde agora
Faz-me frio.
E finjo que ardo no meu alheamento,
Na minha imensa luz,
No meu papel.
Estou alienada.
E o porto que anseio
Tem tanto de distante como de ilusório,
Como de seguro.
O lar quente que tanto procuro tem pouco de acolhedor.
Pouco tem de Humano.

Pouco tem de real.

CS.

28 de ago. de 2009

' Uma Janela Aberta - Não tive tempo.

Não tive tempo, meu amor, não tive tempo!
Para deixar de ter pressa que passasse o tempo;
Para deixar que viesse o tempo de ter tempo,
De esperar e desesperar para ter tempo,
Para viver o momento
Para chorar por dentro,
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo...

Não tive tempo, meu amor, não tive tempo!
De reparar que as palavras vieram e foram
Que morreram e renasceram;
Para deixar que fossem apenas gotas de água por cima de mar,
Ar e vento
E pétalas por cima de rosas,
Não tive tempo, meu amor, não tive tempo...

Não tive tempo, meu amor, não tive tempo
Para pensar bem e saber que tive todo o tempo
Do mundo.
Que deixei cair uma lágrima cá fora quando milhares já tinham caído
Lá dentro.
Que tive medo de ser feliz, e fugi, e fugi, e corri até não poder mais.
Que fugi até sentir dor, até sentir paz. Até sentir que o merecia.
Que fugi do tempo que tinha para ter tempo.
E não tive tempo sequer de ser livre na minha entrega.

Mas hoje tenho tempo. Tenho tempo,
De sobra até.
Tenho tempo para te esperar. Tempo para te abraçar,
Para me despir, para te sentir, para inexistir
Existindo.
Hoje tenho tempo e hoje sou amor. Hoje sou liberdade,
Sou toda a cor que destoa do azul do mar,
Tudo o que é diferente mas vai dar ao mesmo.
Sou todo o tempo, todo o tempo.
Sou a luz, sou a sombra, sou a santa e sou a pecadora.
Hoje sou música, hoje sou uma canção.

Danças comigo?

CS

' Uma Janela Aberta - Qualquer.

Sou uma qualquer,
Não diferente de todas as outras
Quaisquer,
Nem diferente de qualquer
Nenhuma.

Sou uma qualquer,
Tão igual por ser diferente

Mas não diferente por ser igual
A qualquer igual ser,
Enfim,

Qualquer alguma.

Sou uma qualquer,
Espero por qualquer sorriso,
Qualquer beijo e qualquer sonho
Em que sonhe que não sou, afinal,
Qualquer uma.



CS

' Uma Janela Aberta - Poema V.

O eco do fundo dos teus olhos
Refunde-me para as sombras do jardim
Que é o teu corpo.

E absorta fujo, escondo-me,
Porque te tenho, porque me tens,
Porque sou eternamente tua.

Mas algures no meio do fulgor
Do teu abraço
Surge um navio prestes a naufragar.
No jardim do teu corpo,
Navega em mar verde,
O navio prestes a naufragar.

Algures no meio de todo este fogo
Que arde num delírio delirante
Surge a minha âncora,
De ferro forte, feio, esquecido
De onde encontra meu porto seguro.

Oh, se o abandono soubesse
Onde encontrar essa estrada
Que me leva...

Se essa voz soubesse
Onde cantar minha tristeza...

Então saberia onde se encontra o princípio do fim
Encontra-se em ti e em mim,
E no barco que te naufraga,
Nas sombras que nos refundem,
No vento frio que se faz sentir
Nesse teu jardim, ao fim da tarde,
Na poeira de um entardecer já antigo...

Sim, o eco do fundo dos teus olhos
Refunde-me para as sombras do jardim
Que é o teu corpo.
E, sós, amamo-nos, como se jamais
Amanhã houvesse.

CS

' Uma Janela Aberta - Poema VI.

Nos recônditos da minha sensata lucidez
Encontro picos excêntricos, excentricamente
Loucos.
Nesta realidade que me prende, que me puxa,
Que me veste, que me insiste,
Revisto-me de liberdade, de abundancia
De luz.
Na amplitude da consciencia,
Na totalidade do ser que compreende,
Dobro esquinas de brilho,
Percorro estradas de extravagância,
Mergulho em mares de vento solto
Até doer.
Nesta alma matematicamente morta,
Estupidamente viva,
Até doer choro, até doer encontro o choro
Que me faz, apenas, ser.

CS

Em cada esquina
Dobra um sino lembrando-me
Que me perdi
E que já me encontrei de novo.
Que morri e que nasci de novo,
Afinal a vida está presente até na morte.
Mas nesta existencia absurda
E absorta. E infinitamente
Finita, humana, complexa, simples.
Anónima e Renascida,
Será sempre apenas e nada mais que
uma vela, num meio de um mar de velas.
Um pequeno ser abandonado por ter que ser apenas
Somente aquilo que nasceu pra ser.. Nada.

Porque serão sempre cópias de alguéns
Em sítios repetidos
Iguais a tantos outros algures
Nas ruas sujas e imundas
Da banal existencia.
E caminham passivas e impávidas,
Massas de
Personalidades
Nomes, ilusões,
Paixões,
E rostos cansados.
Cansa-os ser. Absurdamente
Existir.
Ter maneiras absurdamente diferentes
De igual ser, de igual sentir.

E continuo porém a ser sempre mais uma alma
Presa num corpo despido.
Parte de mim quer fugir, partir
Apenas por não querer ficar.
Parte de mim quer naufragar.

E dói-me tanto naufragar-me.

CS, 14-03-2009