24 de abr de 2010

' Hoje sopro 20 velinhas - a minha reflexão em relação ao assunto.



Venho despedir-me dos 19 anos para receber os 20 com alguma (muita) reticência...

Hoje completo duas décadas e há quem diga que entre os 19 e os 20 pouca diferença há. Pois, provavelmente também me vou sentir igual hoje ao que sentia ontem. Mas sei que a partir de agora, vai ser diferente. Eu já me sinto diferente.
Este meu 20º aniversário não é só mais um aniversário. É o aniversário que eu ando a temer há meses. Acho que estou com uma pseudo-crise-de-idade. Se estou assim agora, nem quero imaginar quando me começarem a aparecer rugas e cabelos brancos. Lol.

20 anos. 20 anos marcam 20 desde que vi o mundo pela primeira vez. 19 desde que – talvez – dei os primeiros passos, disse as primeiras palavras. 15 anos desde que me virei para os meus amiguinhos no infantário e disse “já tenho uma mão!!”, quando fiz 5 anos. Ironia, agora tenho “4 mãos”. 14 desde que me caiu o primeiro dente de leite. 10 desde que sou menstruada (sim, o meu primeiro período veio demasiado precocemente, aos 10 anos, pouco faltava para os 11). 5 anos desde que tive aquele pico de adolescência estúpida e parva (que ficou registada), com direito a ataques de fúria por causa de uma borbulha. (aproximadamente) 3 anos desde que perdi a virgindade. 3 anos desde aquela fase em que achava que era muito rebelde e andava na onda de fumar ganzas com o meu namorado da altura. E 2 anos desde que a minha personalidade estabilizou (por volta dos 18/início dos 19).

Aproveitei este meu ano de 20º aniversário para fazer uma retrospectiva à minha vida. Li todos os diários que escrevi quando era adolescente. Completei um total de 18 diários dos 14 aos 16 anos. A cada página ri e a cada página deu-me vontade de chorar. Marquei páginas, sublinhei frases e a cada página pensava “quem me viu e quem me vê”. Tudo o que eu fui, tudo o que eu era, tudo o que eu queria ser, é totalmente diferente de tudo o que eu sou agora.

Pois que eu mudei, as coisas mudaram, o mundo mudou. Há assim não tanto tempo atrás (4 anos?), eu não era absolutamente nada do que sou hoje. Odiava-me a mim mesma, a mim e às minhas borbulhas. Hoje, adoro-me. E eu era super dramática, fazia uma tempestade num copo de água por tudo e por nada e à mais pequenina desilusão. Hoje, sou muito mais descontraída. E eu era tão ingénua e sonhadora, construía discursos para quando ganhasse um Emmy (citação de um dos meus diários “Thank You World!!” -.-). Hoje, tenho os pés muito mais na terra, apesar de continuar com a minha mania de fazer listinhas com objectivos para a vida (nenhum deles inclui ganhar um Emmy). Continuo a ter a capacidade de sonhar e de viver apaixonada por tudo e pela vida, todos os dias, mas as desilusões quase que me passam ao lado, porque fiquei imune. Era muito tímida, muito reservada. Hoje, sou muito mais outgoing. Era super super super imatura, nem perto de pessoas com 15 anos que vejo hoje (muito mais maduras do que eu era na altura). Achava-me super infeliz, odiava a minha vida, e os meus maiores problemas e dramas eram o “SA”, as notas de matemática, as minhas “pitax malucax” e os problemas que tinha com elas na escola e quando nos zangávamos; hoje, adoro tudo na minha vida, acho-me super feliz, raramente estou triste, em baixo, ou deprimida e não dou importância ao que realmente não é importante; e escusado será dizer que já me passou a panca de escrever com “x’s”. Não me conhecia bem, um dia achava-me uma coisa, no outro dia outra… achava que tinha múltipla personalidade (!!!!). Hoje, conheço-me tão bem em tantos aspectos, e concerteza não tenho múltipla personalidade. Era tão ingénua e sensível, acreditava em coisas como no altruísmo!! (entrada no diário no dia 21-01-2006: “(…) há que ser solidário, amigo e altruísta!!”). Hoje, sou muito mais insensível em tudo o que tem a ver com solidariedades, lol. Via os Morangos com Açúcar, hoje acho a série mais nojenta de sempre, uma imitação rasca da New Wave (que também via). Acho que, se a saga “Crepúsculo” tivesse saído nessa altura, eu ia amar, porque era a minha cara. Hoje, não suporto esse tipo de sagas e histórias. Eu mudei tanto, tanto, que naquela altura até frequentava um ginásio (dessa nem me lembrava, deve ter sido um recalcamento, porque sempre detestei desporto, coisa que, aliás, refiro nos diários).

Mas quem diz mudanças que sofri durante a adolescência, diz coisas que mudaram desde já há muito mais tempo atrás. Onde dantes era a Feira Popular, onde eu ia todos os fins-de-semana que passava com o meu pai, agora é um descampado vazio e triste. O Jardim Zoológico, sinónimo de divertimento quando eu tinha 9 anos, agora é só uma estação de metro. Santos, onde durante anos andei nos Escoteiros, e para onde ia sair à noite com os meus amiguinhos adolescentes, durante outro par de anos mais tarde, agora é só mais uma rua.

VINTE, só por si, já é uma palavra que me faz espécie. Se quiser viver até aos 80, ¼ da minha vida já passou.

Mas o que me chateia mesmo, é que eu não me sinto com 20 anos em nenhum aspecto. Estou onde queria estar com esta idade, não estou “atrasada” em nada (na faculdade, carta tirada, etc etc), mas a ideia que tenho de mim não é nem nunca foi a ideia que sempre tive de uma pessoa “com 20 anos”. Há muitos aspectos nos quais sinto que “estanquei” lá pelos 17/18 anos. Apesar de ter sido forçada a crescer em muitos momentos da vida, posso dizer que tive uma infância e uma adolescência completas, passei por todas as fases, boas e más, e agora entro, finalmente, na vida ADULTA. E é isso que eu não quero. EU NÃO QUERO SER ADULTA. Eu queria ser adolescente para sempre. Não a adolescência estúpida (dos 15 anos), mas a fase em que a adolescência começa a ser boa (18 anos). 

Sei que neste momento, muitas coisas são como eu um dia desejei ter sido, quando não as tinha. Passei anos e anos a pensar “quando eu for mais velha”. Quando eu fosse mais velha, podia tirar a carta. Quando eu fosse mais velha, podia ir para a faculdade e ia ser tudo diferente (e livrar-me da escola secundária, que odiava), quando eu fosse mais velha podia entrar naquelas discotecas que ainda não eram para a minha idade (vulgo, que o meu pai não me deixava ir), quando fosse mais velha podia dar sangue, quando fosse mais velha podia fazer sexo à vontade (pensamento que tive aos 15 anos, quando queria perder a virgindade mas achava que era muito nova), quando fosse mais velha já tinha personalidade jurídica (muitas vezes pensei emancipar-me, quando me chateava com os meus pais, depois, preguiçosa como sou, achava muito complicado e ficava só a sonhar com os 18 anos), quando fosse mais velha podia fumar, beber, o problema era meu, quando fosse mais velha podia fazer o que quisesse sem pedir autorização aos meus pais, quando fosse mais velha iam respeitar-me mais, iam ouvir-me mais e ter-me mais em conta, como tantas vezes não tinham, como tantas vezes me ignoravam só por eu ser uma “pita”. sim, disse tantas vezes para mim mesma: Quando eu for mais velha...

Pensei nestas coisas inúmeras vezes quando tinha 14, 15, 16 e até 17 anos… os 18 e os 19, foram absolutamente os melhores anos, já “podia” fazer tudo o que estava acima descrito, mas ainda não era “velha” o suficiente para responsabilizar-me pelos meus erros. Quer dizer, na verdade, era. Mas achava que não, que tinha o desconto por ainda ser uma miúda. E tinha!

E, no fundo, é isso que eu me sinto, ainda e por muito tempo: uma miúda. Sinto que cresci muito até aos 18 e aí fiquei. Parei por ai. Achei que era a minha vida e personalidade ideais e em pouco mais evoluí. Estabilizei.

A partir de agora, sei que tenho de medir muito melhor as minhas acções. Sei que as responsabilidades aumentaram. Sei que já não vou ouvir tanto “deixa lá, quando tinha a tua idade também fazia isso, é normal”. Já não tenho o pretexto da “idade da parvoíce” para fazer parvoíces. Se fosse mãe agora, já nem seria mãe adolescente. Agora, já não tenho mais desculpa para muitas coisas. Já não tenho desculpa para, por exemplo, ainda não saber o que quero fazer na vida. E a verdade é que não sei. Estou a tirar um curso só porque sim, só porque gosto, sem quaisquer perspectivas do que quero fazer realmente no futuro.

Todos os anos (desde os 14, acho eu), festejei o meu aniversário, porque sempre amei fazer anos. O meu signo ascendente em Leão e o meu lado egocêntrico adorava ser o centro das atenções nem que fosse durante um dia por ano. Este ano, estou muito mais low-profile. Não estou nem um pouquinho feliz por fazer 20 anos, porque não os queria fazer. Nem sequer fiz contagem decrescente para o meu dia de anos, como fiz todos os anos passados (que criancice, eu sei, eu sei!). Por isso ao início nem sequer queria festejar, mas depois pensei melhor e resolvi fazer uma festa pequena, íntima, informal, apenas com os amigos mais próximos, e aproveitar para fazer a festa de inauguração aqui de casa (que estava à espera para fazê-la desde o ano passado..lol). Para mim, a festa é mais de inauguração do que de anos. Não quero mesmo festejar o facto de fazer 20 anos porque, para mim, não é felicidade nenhuma.


Enfim, basicamente é isto. Quis tanto, tanto, tanto crescer, que esse meu desejo chegou cedo demais. Tenho 20 anos, há umas boas décadas atrás provavelmente já estaria a trabalhar e casada e grávida. Já estou na idade pra ganhar juízo e ainda me sinto… uma miúda.

UMA MIÚDA, É O QUE SOU. E SEREI POR UNS BONS TEMPOS.
Acho que a palavra “mulher” nem se aplica a mim.

de qualquer maneira, Parabéns a Mim.

Muaah @

3 comentários:

Rainbow disse...

Parabéns a ti! ;)

Sara S. disse...

Vou significativamente atrasada, mas também deixo aqui os parabéns!

Anônimo disse...
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